Naquela aula de Multimédia reflectimos acerca do futuro em 2020, tendo em conta a evolução tecnológica em filmes como o “Matrix” e o “Avatar”. Então, depois da proposta, sentamo-nos frente a um computador com o Windows aberto e bem que demos largas à criatividade que nenhum de nós imaginava realmente como seria o dia 27 de Janeiro passados dez anos…
Para começar, não há teclados: trago comigo um portátil que me poupa o trabalho de dar aos dedos e, assim, poupo tempo precioso no que toca a redigir argumentos. Tudo isto graças a um software que a Microsoft desenvolveu em que uma pessoa fala e o programa de escrita reconhece o som e converte-o em texto. Não é fantástico?
Neste momento, são 6 da manhã e encontro-me no aeroporto de LAX com os meus sonhos em memória ROM porque os projectos são muitos e a minha cabeça começa a não dar conta de tantos. Então, o som porque tanto esperava surge no meu super relógio: “Menina Sek, favor apresentar-se no cais 5”. Este relógio, na verdade, é um telemóvel só que não tão volumoso e destinado apenas a fazer chamadas. Daqui a algum tempo quem saiba se o software de escrita por voz não será adaptado às sms… ou então, talvez se venha a ver imagens projectadas no ar, tipo monitor, como eu imaginava! Hoje em dia tudo é possível.
9 da manhã, avião privado oh yeahh:
Estou cansada e nem sei bem para onde vou. Na verdade não interessa desde que não pare muito tempo no mesmo lugar, pois não tenho maior desejo do que conhecer o mundo. Talvez pare em Hollywood para apresentar o meu mais recente projecto “Press Rewind” sobre um personagem que deseja voltar atrás no tempo para evitar certos desgostos… na minha opinião isso nunca será possível e mesmo que fosse, creio que devemos aprender a errar uma vez e ser felizes (porque evitaremos cometer o mesmo erro de novo) do que fugir aos problemas.
Meio dia, almoço na sede da Universal Pictures:
Antes de ir falar com o director, ele propôs-me almoçar com a minha nova equipa de trabalho, quem saiba… as pessoas aqui são simpáticas e acolhedoras, já para não falar das empregadas de serviço… que não existem. Existe sim um monitorzinho engraçado, daqueles sensíveis ao toque, em que a pessoa selecciona o que quer comer nessa refeição e o pedido é direccionado para a cozinha. Lá, o cozinheiro prepara a refeição num ápice e envia-a por um elevador até mim. Nos outros restaurantes o sistema é o mesmo, só que antes da comida vir, temos que pagar com cartão… mas como estou numa empresa toda fixolas acho que vou repetir… hehe, tou na brincadeira!
15 horas, clínica da Corporation Demonstetic versão americana
Por acaso até nem almocei grande coisa mas se há erros que nos perseguem por mais de dez anos, a celulite é um deles. Como vou ter que esperar muito tempo para ser atendida e (ainda) não posso mudar isso, aqui estou eu a relatar os últimos acontecimentos…
1.O director ficou com o guião e vai estudá-lo. Só saberei se o aprovou daqui a uns 15 dias, por isso ainda vou ter muito tempo para me divertir por cá! – a reunião foi às 13.30 horas, aproximadamente, e saí de lá às 14.30 horas… aproximadamente.
2.Apanhei o “super taxi” que eu imaginava com 16 anos: fácil de se evocar, rápido e sem uma única paragem na estrada. Nem motorista! Essa ideia ainda me assusta, mas terei de me habituar a ela, dado que daqui a alguns aninhos, já imagino estes carros robóticos virarem “mini-naves”.
3.São 15.30 horas e estou prestes a ser atendida… do fundo do corredor oiço gritos entre o choro e a raiva… sombras surge… É a Paris Hilton que já não consegue escapar ao tempo, coitada! Conseguirei eu?
17.30 horas, hotel
Acabo de me instalar na minha cápsula… os quartos de hotel agora são bem pequenos, com o espaço aproveitado ao máximo: um chuveiro, um armário e uma cápsula tipo cama, com telefone integrado caso fique lá presa e precise que alguém suba para me salvar… acho que vou tirar o saco-de-cama e dormir no chão. E é que também nem quero imaginar como é que serão as cápsulas de casal!
Ah, é verdade, eis o que me aconteceu na clínica:
1.Fui atendida às 15.45 (estava a ver que nunca mais)
2.Fui para dentro de uma cápsula… a senhora que estava ao lado disse-me para relaxar que ela controlaria a carga energética emitida, através de um monitor. Tudo bem que hoje em dia já ninguém queira saber da minha claustrofobia, mas assim teve que ser!
3.Às 16.30 sai da cápsula… julgava eu que estava um tanque quando afinal até nem tinha grande coisa… mesmo assim, sinto-me tentada a gastar mais uns “trocos” numa lipoaspiração indolor. Mas isso fica para outra altura, é melhor!
4.Depois de um bom banho e tratamentos de beleza “low-cost” lá saí eu toda contente, eram umas 17 horas… apanhei outro “super-táxi” e aqui estou eu!
Daqui a um quarto de hora tenho outro táxi à minha espera para ir ao shopping, a ver se arranjo um vestido de gala para a festa de logo à noite.
20 horas, de novo no hotel
Se dantes detestava ir às compras por causa da imensa quantidade de gente que se apinhava na rua, agora essa experiência é-me mais estranha pois nem funcionários no balcão há! Pela loja só passeia uma menina fardada, pronta a dar dicas sobre o que vestir e a ajudar-nos com o monitorzinho de que falei há pouco, em relação ao almoço.
Depois de duas horas a experimentar vestidos, eis que me decido por um modelo preto simples: o decote era em caicai e tinha folhos desde a cintura até aos joelhos. Para acompanhar nada mais do que umas botas à tropa confortáveis e o colar que o meu namorado me ofereceu.
Acho que me vão criticar quando chegar, mas deixem lá! Sempre fui a favor de coisas simples.
21 horas, cabeleireiro do hotel
Os cabeleireiros sempre foram demorados apesar da tecnologia e prova disso é que acho que me vou demorar por cá mais uma hora para me pentearem e maquilharem… além da espera para de atenderem.
22.30 horas, táxi
“Escrever” num táxi nunca foi muito o meu estilo, mas que assim seja. Estou a caminho do encontro com as escassas estrelas de Hollywood, prestes a conhecer a Miley Cyrus, a protagonista do meu próximo filme (preferia antes que fosse a Angelina Jolie de há 10 anos, mas também dá). Espero é que valha a pena e que me divirta, com todos os cocktails e música que uma boa festa pode oferecer.
Neste momento, a velocidade do táxi está a abrandar e já começo a ver os flashes… será que vou brilhar? Só o tempo o dirá.
E ver estrelas? Para além das que vou ver nesta festa, acho que vou levar com outra dose quando chegar ao hotel, já toda cansada.
Bom, tenho que ir, há que encarar a nova realidade! Se dantes um dia destes dava um filme agora é a coisa mais normal do mundo. Que mais se haverá de inventar?